domingo, 20 de fevereiro de 2011

PERIMETRAL: FEIO com ela , impossível sem ela.

Amigos,


Na última sexta feira, estava voltando para casa depois de um dia de trabalho e parei para pensar no caos que é o trânsito na Região Metropolitana. Na sexta passada (11/02/2011) fui trabalhar em Botafogo de carro, minha aula termina as 18h10. Cheguei a minha casa as 21h30, ou seja, 3h20 de engarrafamento dentro do carro no ar condicionado. Nesta sexta (18/02/2011), tentei fazer diferente, voltei de barcas cheguei a minha casa as 20h20, demorei 2h10, mas tive que ingressar em dois ônibus lotados e uma barca abarrotada de gente!Um calor infernal e insuportável. Bem essa é a rotina de quem mora em Niterói e trabalha no Rio de Janeiro. Essas são as opções, as duas únicas opções. O cenário é entristecedor, mas amigos , vai ficar ainda pior! É verdade! Aquilo que já é péssimo pode ficar pior! É que o prefeito da capital Eduardo Paes teve a "brilhante idéia" de demolir a perimetral e construir um mergulhão para substituir o viaduto.

O Elevado da perimetral foi projetado pelo Governo Carlos Lacerda em 1962 e a obra foi concluída pelo Governo Chagas Freitas em 1979. Desde então o Viaduto da Perimetral é a principal Via de ligação entre a Zona Sul e Av. Brasil / Ponte Rio-Niterói. Pelo viaduto passam, atualmente, 94.000 veículos por dia. Mas por que o Prefeito quer tanto derrubar uma via de extrema importância para o trânsito? Ele alega que a perimetral é “feia” e que vai revitalizar a área portuária. Ele confunde o ÉTICO com o ESTÉTICO. Nem tudo que é BELO é BOM. E nem tudo que FEIO é RUIM. Se a Perimetral é “feia”, então porque não fazer uma reforma/revitalização do viaduto? E o principal , onde passarão os 94.000 veículos que lá passariam? Mas para tomar uma decisão como esta ele deve ter consultado especialistas no assunto, certo? Vamos ver o que dizem alguns dos estudiosos:

"Demolir o elevado soa como absurdo. É gastar quatro vezes o dinheiro público: uma para construir, uma para demolir, outra para fazer os mergulhões e outra para não solucionar o problema do trânsito"
Giovani Manso, professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (9 de janeiro de 2009).

"Na atual lógica, o elevado é fundamental porque é ligado a acessos à Linha Vermelha, à Avenida Brasil e à Ponte Rio-Niterói. Além disso, acho que será empregado muito dinheiro para uma cidade que tem favelas que precisam ser urbanizadas, postes caindo, bueiros explodindo e jardins mal cuidados".
Antônio Agenor Barbosa, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro. (15 de julho de 2010)

"Aquela é toda uma área de aterro. Se houver má conservação na drenagem e chuva forte o mergulhão pode virar piscina. O mais importante de uma obra pública é a sua funcionalidade e não necessariamente a beleza".
Weber Figueiredo, ex-presidente da SERLA e vice-diretor da Faculdade de Engenharia da UERJ. (14 de janeiro de 2011)

Esta é a opinião de alguns dos maiores especialistas em Arquitetura, Urbanismo, Engenharia e Transito. Parece que o prefeito esqueceu-se de conversar com eles antes de tomar sua decisão...

Outra questão importante, qual será o custo disso tudo? De onde vem o dinheiro? A Caixa Econômica Federal vai garantir 7,6 bilhões de reais do FGTS para as obras e serviços. Quando Brizola era Governador, cada CIEP custava em torno de um milhão de reais e muitos diziam que era um absurdo gastar tanto dinheiro para construir uma escola. Perguntar não ofende, com 7,6 bilhões de reais dá para construir quantos CIEPS?

Mas então o que a Cidade do Rio de Janeiro ganha com isso? Quais são os verdadeiros interesses por trás disso? No pacote, está incluso a elevação do gabarito para 50 andares na zona portuária e um mergulhão numa área aterrada, que torna a obra um grande desafio para os engenheiros. A conclusão que chegamos é que tudo isto está sendo feito para satisfazer o desejo e a ganância da especulação imobiliária e para deixar a cidade “linda” para a Copa e as Olimpíadas.

Por isso tudo, que enquanto houver governantes que privilegiem o interesse privado em detrimento do interesse público, que desprezem os estudos e projetos elaborados nas maiores universidades do país, a população sofrerá com engarrafamentos quilométricos barcas lotadas horas e horas diárias perdidas no trânsito. E eu morador de Niterói continuo bolando e arquitetando a melhor maneira de voltar para minha casa, agora um pouco mais feliz, pois a perimetral ainda está de pé.


Forte abraço

Tulio

sábado, 13 de fevereiro de 2010

“Mestres e Doutores disputando uma vaga de gari” – Verdade ou mentira?

Recentemente um fenômeno curioso ocorreu. O concurso público para a seleção de 1.400 garis para a cidade do Rio de Janeiro atraiu 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 com superior incompleto, segundo a Comlurb (Companhia Municipal de Limpeza Urbana). Pode parecer um absurdo, mas isto pode ser facilmente explicado com base no raciocínio abaixo:
Hoje em dia o mercado de trabalho exige dos nossos jovens um grau de capacitação e qualificação cada vez maior. Hoje, para estar bem inserido no mercado de trabalho, é fundamental um curso superior completo. Então se cria a impressão (falsa) de que qualquer curso superior completo garante um emprego. Mas, será que todo jovem que possui ensino superior completo está inserido no mercado de trabalho? Claro que não!
No Brasil, na atualidade, o ensino superior é dividido em instituições públicas e privadas. Para ingressar numa instituição pública o aluno deve passar por um exame de seleção onde este aluno é submetido a avaliações sobre conteúdos abordados no Ensino Médio. Estes conteúdos são pré-requisitos para o ingresso em um curso superior. Portanto o aluno que passa pelo vestibular de uma instituição pública é um estudante que possui os pré-requisitos básicos para cursar a graduação numa instituição de ensino superior.
Em contrapartida, muitos não conseguem passar pelo vestibular! Estes alunos acabam se matriculando na rede particular de ensino superior. Pois a prova de seleção para o ingresso nestas instituições é muito mais fácil do que o vestibular das IPES. Por isso estes alunos que não têm os pré-requisitos básicos acabam ingressando em um curso superior. Ao longo do curso em uma universidade privada o aluno é aprovado com facilidade em todas as disciplinas, pois a universidade privada tem fim comercial, lucrativo, esta é famosa mercantilização da educação. Aluno aprovado é aluno que paga mensalidade, esta é a lógica mercantilista. Isto ocorre na maioria das universidades privadas.
O grande resultado disso tudo é que diversos jovens se sacrificam para pagar um curso superior privado e no fim das contas, o diploma não garante uma vaga no mercado de trabalho. Hoje, profissionais que não possuem conhecimentos básicos em suas respectivas áreas estão tentando se inserir no mercado de trabalho e claro não conseguem. Claro que isso não é geral, existem algumas raras exceções. Mas na maioria das vezes o procedimento é este!
A solução seria um maior rigor na fiscalização dos cursos de Ensino Superior e uma padronização das avaliações tanto para ingressar na graduação bem como ao longo do curso! Mas isso vai de encontro a poderosos interesses dos “tubarões” do Ensino Privado que não se cansam de ganhar rios e rios de dinheiro vendendo cursos de qualidade duvidosa para alunos com baixo nível de conhecimento e, por conseguinte formando profissionais que não têm condições de exercer a profissão. E que depois de anos e anos de “estudos” disputam uma vaga de gari, com todo respeito aos garis!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Queridos amigos

Resolvi criar este blog para dividir minha humilde opinião acerca dos principais assuntos da política no Brasil e no mundo! Mas como não poderia deixar de ser aboradarei temas referentes a Educação Pública e ajudarei meus alunos com dicas de vestibular!